Valquíria a princesa vampira 2 - Capítulo 1

Capítulo 1

O meu retorno ao planeta Terra deu-se pela manhã de domingo. O tempo havia parado para a minha mãe. Desde a minha jornada a Netuno, ela dormia num sono profundo e sem interrupções. Lembrei que na noite do show de Rock and Roll, antes da minha partida, Eros a fizera adormecer, para que ela não sofresse com a minha ausência. Ele fez isso com tamanha perfeição que realmente a minha mãe havia dormido durante esse intervalo de tempo.
Porém eu pensei.
Se eu não retornasse de Netuno, a minha mãe dormiria para sempre?
Pagaria um alto preço por minha escolha?
Não, isso não seria justo com ela e também comigo.
Assim que me dei conta, eu estava no quarto dela.
Ao lado de sua cama de casal. Nessa ocasião eu observava a minha adorada mãezinha no seu intenso sono.
Eu confesso, que eu não tinha olhos para nada naquele instante, a não ser para seu semblante doce e inocente, por não saber o que havia acontecido comigo. E eu ter me transformado em um monstro.
A minha primeira reação foi colocar a mão nos seus cabelos, fazendo leves movimentos para não acordá-la. A minha saudade por ela morreu naquele instante. Agora me restava apenas à certeza de que eu finalmente estava junto da minha mãe, debaixo do mesmo teto.
Uma lágrima de sangue desceu pela minha face, contudo dessa vez de emoção.

***
Troquei de roupa. Coloquei um vestido na cor preta e chinelos. Logo dei fim ao vestido imundo que usava antes. Não desejava que a minha mãe visse o traje naquele estado deplorável. Ela iria ficar preocupada e me faria várias perguntas a respeito do que se passara comigo.
Perguntas que eu preferia evitá-las.
Momentos mais tarde, a minha mãe abriu os olhos e olhou em minha direção, na ocasião em que eu estava ao seu lado. Ainda pé ao lado do seu leito.
Continuei imóvel, aguardando a sua reação.
Ela sentou-se na cama e olhou para mim.
­­­­­­­­- Como foi o show de Rock and Roll?
A sua mente parou naquela noite. Ela lembrava que eu saí de casa para ir ao evento.
Senti um alívio, por constatar que a minha mãe em momento algum presenciou a minha ausência naquela casa. Tudo parecia perfeito. O poder de Eros não falhou e ele soube conservar a minha mãe em um sono profundo e seguro.
- Foi... Bom... - Reforcei com um lívido sorriso. Interiormente eu agradecia Eros por não deixar a minha mãe perceber a minha ausência por aqueles tempos passados.  - Estou feliz em vê-la!
- Acho que dormi demais... -Alisou os cabelos com as mãos. - Tentei ficar de olhos abertos até você chegar, mas o cansaço foi maior.
O seu olhar parou na minha imagem novamente. Era estanho encarar a minha mãe após o meu regresso de Netuno. Eu me sentia uma intrusa na minha própria casa. E pior que isso, eu me sentia a pior criatura entre os humanos. Prestes a por em risco as suas vidas apenas por um escopo chamado sangue fresco.
-O que importa é que você está bem.
Sorri para ela com um sorriso recente e fraco, porém, tão verdadeiro.
- Fala como se não me visse a tempo!...
A sua testa enrugou por questão de segundos. Eu mordi os lábios e pensei que deveria apenas deixar a saudade dominar a minha mente e também o meu corpo.
- As horas foram eternas... Parecia que nunca ia chegar esse momento.
- Venha cá...! Quero um abraço!
Minha mãe estendeu os braços para me receber. Ela desejava proteger-me em seus braços, como sempre fez quando eu sempre precisei deles.
Eu girei meu corpo para trás, evitando o seu contato. Na minha mente vinham apenas as lembranças de que eu era uma criatura terrível. A qual precisava manter distancia até mesmo da sua própria mãe.
Esse era um dos meus mais altos preços a pagar após a minha nossa vida como a princesa dos vampiros.
A garota humana e tímida que tinha ganhado asas para um mundo sombrio, restrito e extremamente perigoso.
- Acho melhor... Não.
- Por que está agindo dessa forma? Esta zangada comigo?
- Não estou zangada com você. Só não quero o seu abraço. - Sacudi a minha cabeça e olhei para baixo. - Não neste momento.
Fui em direção à porta de seu quarto, tentando uma fuga sem advertências. Eu precisava ficar longe da minha mãe naquela hora e talvez para o resto do meu dia.
- Valquíria! Aonde você vai?
- Dormir um pouco... Eu estou cansada.
- Eu ainda não terminei a nossa conversa.
-Depois agente termina.
Deixei o aposento de minha mãe e entrei no meu quarto. Olhei para a porta de madeira e fiz forças com os olhos, imediatamente uma força invisível saiu dos meus olhos e trancou a passagem. Sem eu precisar usar as minhas mãos ou os meus dedos pálidos e gelados.
Eu fiz isso porque eu sabia que a minha mãe viria atrás de mim em tão curto intervalo de tempo. Mas mesmo que ela fizesse isso, ela não poderia entrar. A porta estava trancada. Eu queria ficar sozinha naquele momento e tentar me desprender daquela sensação horrível que eu estava sentindo dentro de mim.