Valquíria a princesa vampira 2 - Capítulo 2

Capítulo 2


Eu não dormi. Fiquei trancada no meu quarto esperando à hora passar. Quando olhei para a janela aberta do meu quarto, percebi que já havia anoitecido.
Essa era a minha primeira noite no planeta Terra após o meu retorno de Netuno.
Com esse pensamento, caminhei até a vidraça e olhei novamente para o céu tenebroso. Ele parecia se comunicar comigo. Talvez me ofertando ‘uma boa noite’.
Que sensação boa!
Antes eu preferia o dia.
Agora eu não suportava os reflexos solares sobre os meus olhos e a toda a extensão do meu corpo.
A minha visibilidade durante a noite era bem mais precisa. Eu enxergava qualquer objeto minucioso de longe. Era incrível o meu poder de vampira.
Mediante a isso, eu não pude conter a minha face vampiresca ao olhar aquela imensidão negra. Logo os meus olhos se tornaram tão cinzas e os meus dentes dilataram.
Respirei profundamente aquele ar puro, vindo exclusivamente do pomar.
Em seguida, olhei em direção a porta do meu quarto, assim que eu ouvi ruídos em sua direção.
Era a minha mãe dando socos insistentes na madeira.
- Valquíria, vem jantar!
-Eu estou indo!
Em um segundo, a minha face se tornou humana e eu deixei de observar tudo ao meu redor com os olhos sobrenaturais. A minha genitora havia sem querer, interrompido esse momento particular meu.  Ela jamais poderia imaginar que dentro do meu quarto havia uma criatura que agora também pertencia a outro planeta. Não somente na questão de habitar, contudo também no sentido de que eu carregava agora comigo a origem dos vampiros do oitavo planeta.
O DNA do meu pai já se encontrava no meu corpo desde quando eu nasci, mas a sua semelhança como um vampiresco, eu somente adquiri depois que recebi o seu sangue vampiro.

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Sentamos a mesa na cozinha. A minha mãe já tinha colocado o alimento no meu prato antes que eu havia chegado ali. Olhei para aquela refeição com demasia. Tudo aquilo já não fazia efeito algum em mim. Eu estaria apenas representando um papel social na presença da minha mãe.
Minha fome jamais seria saciada com comida.
Meu paladar pedia apenas uma coisa...

SANGUE FRESCO.

Duas colheres foram o suficiente para eu rejeitar o resto da refeição. Na verdade eu não abandonei aquela comida porque ela estava ruim. Não, não era isso. A minha mãe cozinhava muito bem. 
Bem, de fato eu não estava mais acostumada com aquele cardápio dos seres humanos. Porque ele havia se tornado absoluto na minha sucessão de dias.
- Você não comeu quase nada.
A minha mãe disse olhando no meu prato. Logo depois, ela se levantou e levou alguns pratos com resíduos de alimentos para a pia ao lado da mesa.
- Estou sem apetite.
Permaneci sentada no meu assento, mesmo sem ter o que comer. Agora eu não estava ali apenas para me nutrir ou partilhar de um jantar descente com a minha mãe.
- Precisa se alimentar... Falando nisso, tenho que pegar o resultado do seu exame de sangue.
Os meus olhos arredondaram nas suas costas.
Análise de sangue automaticamente me recordava de um episódio terrível no meu passado. Algo como uma perseguição seguida de uma carnificina.
- Exame de sangue?
Lembrei-me do médico que me caçou naquela noite. Ele estava morto e a minha mãe ainda não sabia disso.
- É... o seu exame!
Olhou por cima do seu ombro esquerdo e me observou rapidamente. Eu ainda permanecia sentada comportadamente ao redor da mesa com quatro lugares.
- Eu não voltarei mais naquele lugar!
Reforcei, sacudindo a minha cabeça. As lembranças daquela clínica eram terríveis e agora que eu era uma criatura sobrenatural. Isso seria um risco muito grande para a minha espécie. Eles acabariam descobrindo que eu era uma vampira. Um ser de outro mundo.
- Você não precisa voltar lá... Eu mesma vou pegar o resultado do exame.
Continuou lavando os pratos com detergente e água. A bucha deslizava pela superfície branca do objeto e o tornava limpo novamente.
- Tudo bem...
Afirmei e levantei-me para colocar o meu prato na pia. Nesse instante, eu não esperava a reação imprevista de minha mãe. Ela segurou fortemente o meu braço direito. Eu a fitei no rosto, bastante assustada com o seu toque cálido sobre a minha pele gélida.
- Por que está... Gelada?
Questionou duvidosa. Abaixei a minha cabeça antes de respondê-la.
- Eu não queria que você soubesse...
- Soubesse de quê?
Esqueceu-se da louça na pia e começou a focar somente em nossa conversa desconfortante para ambas. Nós parecíamos estar falando em idiomas diferentes. A minha mãe não compreendia as minhas palavras. O seu cérebro não assimilava com facilidade o que realmente estava acontecendo comigo.
 Por que eu havia ficado tão gelada de um dia para o outro?
- Eu estou doente...
- Doente... O que você está dizendo, Valquíria?
-Fica calma mãe... Não é nada grave.
Assegurei depois que vi o seu olhar encoberto por lágrimas. Ela estava aflita com a minha confissão.
Qual mãe gostaria de ouvir isso de um filho ou filha?
Mãe, eu estou doente.
- Como não é nada grave? - Insistiu, analisando o meu semblante com mais cuidado e preocupação.
- Eu sofro de uma doença rara... A mesma que Eros... tem...
-Você não tinha isso até ontem à noite!
- Ela se manifestou hoje pela manhã. Eu sabia disso há algum tempo. - Mordi os meus lábios. -De vez em quando eu tinha os sintomas... E você nunca percebeu.
Mais uma vez eu menti para a minha mãe. Isso era horrível.
Além de eu haver me tornado um monstro, agora eu também teria que mentir para evitar a descoberta de toda a verdade sobre a minha verdadeira identidade.
A princesa dos vampiros de Netuno.
- Não pode ser...
A minha mãe estava inconformada. Logo começou a sacudir a sua cabeça, enquanto ela parecia estar em profundo estado de choque.
- Foi por causa disso que eu não quis te abraçar hoje de manhã.
Olhei para baixo novamente. Eu não conseguia encarar o semblante sofrido dela após a confissão sobre a minha falsa enfermidade.
-Isso deve ser hereditário! - Declarou se recordando de algo importante. - O seu pai também era assim.
Eu não fiquei surpresa com o seu comentário. Porque agora eu conhecia o meu pai melhor do que ela e, além disso, reconhecia sobre a sua frialdade.
- Então... Mais um motivo para você não ficar nervosa.
Tentei confortá-la com um comentário suave.
- Eu estarei do seu lado filha... - Ela me abraçou e finalizou a frase. - Sempre!
A frieza da minha pele a incomodava. Eu sentia isso. E mesmo assim ela se manteve firme, mostrando estar disposta a suportar o toque de meu corpo frio para estar do meu lado.
Dessa maneira, manifestando o seu imenso amor de mãe.