Valquíria a princesa vampira 2 - Capítulo 3

Capítulo 3


Assim que eu atravessei o pátio da escola, eu senti um imenso vazio dentro de mim. Eros não fazia mais parte daquele lugar, onde tudo começou um dia. Onde eu o conheci e me apaixonei sem implorar por isso. O meu coração pela primeira vez tinha escancarado uma porta secreta para que ele entrasse nele e talvez nunca mais saísse.
Era estranho, porque agora Eros estava a léguas, além de mim.
Situado no planeta Netuno.
Desde então eu tentei me convencer que era melhor assim, estar distante dele e de tudo que me ligasse a ele.
Eu estava disposta a não sofrer ainda mais, por um amor condenado a imortalidade e não ser correspondido.
Raciocinei que não havia necessidade de eu estar freqüentando aquela escola.
Agora eu era uma vampira. Não precisaria dos estudos e de um diploma idiota criados pelos mortais... Todavia, eu tinha que manter uma postura normal diante da minha mãe e de todos em volta de mim. Eu tinha de convencê-los que nada havia mudado em minha rotina de vida.
Como decidi a conviver com os humanos, então eu era obrigada a ter que me comportar como eles, ou pelo menos, tentar...
A seguir, os meus pensamentos foram contidos por uma voz aguda e doce, gritando em minhas costas:
Valquíria!
Isso era a voz de Mirta. Exatamente o clamor da minha única amiga dentro e fora daquela escola. Os seus gritos eram inconfundíveis. Geralmente eles vinham acompanhados de um sorriso bitolado.
Sem esperar, eu fui surpreendida por um abraço inesperado. Eu não tive como esquivar-me dele. Os seus braços frágeis estavam entrelaçados ao meu corpo rígido e sem movimentos.
- Saudades... Amiga! Você sumiu!
Contorci o meu corpo, recusando o abraço intruso ao redor do meu corpo. Porém, Mirta ainda não havia percebido que eu a evitava desde a sua presença.
Será que era preciso eu dizer isso com a minha própria boca?
MIRTA FIQUE LONGE DE MIM!
- Sumi?
Franzi a testa.
- Você está bem? Está tão gelada!
Falava as pressas enquanto me analisava com um olhar diferente. Procurando encontrar um vestígio anormal em mim.
- Eu estou doente.
Olhei para baixo e fiquei calada por alguns segundos. Pela segunda vez eu teria que falar com alguém a respeito da minha falsa doença.
- Doente? O que você tem, amiga?
Em seus olhos havia uma expressão apreensiva. Mirta parecia preocupada com a minha enfermidade também, assim como a minha mãe.
- Descobri que tenho uma doença incomum, onde um dos sintomas é ficar gelada.
- Por isso você parou de freqüentar a escola?
- É mais ou menos isso.
- Eu estivesse na sua casa e chamei por você inúmeras vezes. No entanto, ninguém apareceu. A casa estava fechada. Imaginei que você tivesse viajado.
- Eu fui fazer alguns exames fora da cidade. Foi tudo tão rápido... Não tive tempo de avisar você.
O tempo não havia passado apenas para a minha mãe. Nessa ocasião eu tive a certeza disso.
- Depois do show de Rock and Roll... Várias pessoas desapareceram...
Mirta articulou amargurada. A sua voz parecia anêmica. O seu olhar perdeu o brilho. Algo estava errado.
- Várias pessoas desapareceram?
Encrespei a minha testa em sua direção. Precisava de mais detalhes sobre a conversa. O que mais havia ocorrido na noite do show de Rock and Roll que eu não tinha o conhecimento?
- Você sumiu... Christian... Até Eros não freqüenta mais a escola.
- Christian sumiu?
Fiquei grilada com o desaparecimento de Christian naquela noite.
O que ele teria haver com isso?
Eu sabia o motivo do desaparecimento de Eros, porém a respeito do desaparecimento de Christian foi uma notícia inesperada e um tanto misteriosa.
Logo os meus lábios amoleceram.
- Eles encontraram o carro do pai dele estacionado em frente casa dele, mas ele não estava, suspeitam que ele tenha fugido.
- Por que o Christian fugiria?
- Eu também não sei dizer. Eu estou infeliz com o sumiço dele... Choro todas as noites, amiga.
- Ele vai aparecer.
- É tudo o que eu mais quero! Logo agora que agente estava junto...
- Ele pode ter feito isso para chamar a atenção dos pais.
- Eu rezo para que ele esteja bem em algum lugar.
- É estranho...
Eu disse baixinho e olhei distante. O desaparecimento de Christian ainda me intrigava.
-Vejo que você não se importou com o desaparecimento de Eros! - Olhou no meu rosto. - Aconteceu alguma coisa entre vocês dois naquela noite? Ele te magoou?
- Eros... Disse-me que teria que ir visitar os pais e não sabe se voltará.
- Menos mal, pelo o menos, ele está bem.
- Eh!
Concordei assimilando a mentira que inventei na hora. E que passou despercebida por Mirta.
Mentiras estavam se tornando cada dia mais comum na minha vida e isso não era legal. Algo que eu concordasse em fazer.
- Você está sentindo falta dele?
- Estou... Mas acho que foi melhor assim.
- Por quê? Você é apaixonada por ele!
- Eu nunca disse que eu sou apaixonada por ele.
- E não precisa dizer. Quem não enxerga isso?
- Eu não quero falar nisso... Eu não quero falar nele.
- Tudo bem.

coroa de vak AVR

Assim que entrei na sala de aula, os meus olhos foram de encontro à cadeira no final da sala, a mesma cadeira que Eros costumava sentar. Imaginei-o ali, sentado, olhando para mim. Do mesmo jeitinho que ele sempre ficava, quieto e solitário. Como se ele não existisse ou não fizesse parte daquela classe. Mas para mim, ele sempre existiu, mesmo quando ele desejava ser tão discreto e passar tão despercebido pelas pessoas.
Quando despertei da minha abstração que não me levaria a lugar algum, exceto ao meu passado cheio de saudades, eu vi que todos na classe olhavam para mim. Reparavam o meu traje tenebroso e o meu semblante carregado de maquiagem estranha. A qual eu nunca tinha me atrevido a usar.
Eles sabiam que eu não era a mesma, alguma coisa de errado havia acontecido comigo, só não sabiam exatamente o quê.
Logo eu arrumei um lugar para sentar e me esquivar daqueles olhares investigativos. Eu ainda me sentia muito incomodada com eles. Eu poderia compará-los com as câmeras fotográficas dos paparazzi e eu era justamente uma celebridade tentando fugir deles.
Na saída do colégio, duas jovens da minha classe, se aproximaram de mim. Pareciam encantadas com a minha aparência.
Eu vestia uma saia rodada até o joelho, meia calça preta, blusa de manga curta, um colete e uma sapatilha. Todas as peças na tonalidade preta.
- Gostei do seu novo estilo!
Disse uma delas, com um imenso sorriso no rosto. Esbanjando simpatia.
-Totalmente ‘dark’! - Completou a outra.
Elas duas tinham o mesmo estilo da minha amiga Mirta, patricinhas assumidas. Andavam sempre na moda.
- Obrigada!
Foi tudo que eu disse.
Elas não faziam idéia o porquê da minha modificação brusca de estilo. Eu não andava daquele jeito porque eu desejava. Era uma necessidade, minha visão era sensível a vestes claras.