Valquíria a princesa vampira 2 - Capítulo 4

Capítulo 4


Na volta para casa, eu vinha andando distraída, observava a paisagem totalmente verde, várias árvores com vida. Diferente de tudo que eu vi em Netuno, onde as árvores eram secas e sem vida.
Às vezes eu me perguntava por que Netuno era tão diferente do planeta Terra e tão distante também?
Ele poderia residir numa distancia bem menor, talvez assim eu pudesse visitar o meu pai com mais freqüência, sem que a minha mãe ou alguém percebesse que eu estava lá.
Mais adiante, um menino, que deveria ter seus sete anos de idade, decorria em direção contraria a minha. Montado numa bicicleta sem freio.
Uma pedra na passagem interrompeu o seu percurso.
Ele foi lançado ao chão após passar por cima dela. Seu veículo de suas rodas caiu mais adiante.
Ele resmungou ao ver seu joelho machucado. Apressei os meus passos para ajudá-lo.
- Você está bem?
Segurei o seu braço, tentando auxiliá-lo a se levantar. Mas ele ainda permanecia sentado ao chão, segurando um lado do seu joelho ferido.
- Está doendo!
Resmungou chorando.
Ao ver aquele fluido vermelho... Eu serrei os meus olhos, evitando uma crescente euforia dentro de mim.
O aroma aguçava ainda mais a minha cobiça por sangue.
Imediatamente virei o meu rosto para o lado, para o menino não ver a minha fisionomia anormal. Os meus olhos mudaram de cor de modo acelerado. Eles estavam cinza e os meus dentes estavam enormes e pontudos.
Meus neurônios assimilavam uma cena drástica, os meus dentes gravados naquele delicado pescoço.  O pescoço de um menino inocente.
Lutei contra isso o máximo que pude. Eu não desejava esse triste fim para ele.
Contraí os meus músculos. Uma extensa dor invadiu o meu abdômen, isso era o sintoma da falta de sangue em meu corpo.
Em primeiro lugar eu pensei em poupar a existência daquela pobre criança.
Interromper seu ciclo de vida para me alimentar, seria muita crueldade.
Apesar de eu ter me transformado em um monstro, eu lutava contra ele. Eu não queria me adaptar a sua forma.
Desde então eu procurava me alimentar o mínimo possível para preservar vidas. Eu precisava fazer isso para me sentir bem comigo mesma.
- Vai embora!
 Gritei para que ele se afastasse de mim o mais rápido.
-Agora!
Insisti.
O menino, bastante assustado, levantou-se do chão e depois puxou a sua bicicleta. Subiu nela e pedalou com rapidez. Ele não entendeu o motivo da minha reação inquieta e desesperada. Todavia ele obedeceu ao meu clamor.
Vendo-me sozinha, apoiei as duas mãos contra o chão e olhei para o alto.
O céu nublado presenciou a minha angustia. O meu olhar voltou ao normal e os meus dentes encurtaram outra vez.
Senti que derrotei a minha cobiça por sangue.  Pelo o menos... Naquele instante. E isso para mim tinha sido uma grande vitória.