Valquíria a princesa vampira 3 - Capítulo 1

Capítulo 1


Vale da morte


Eu chequei até um bosque cheio de árvores secas e sobre o chão havia caveiras, velas acesas e várias cruzes cravadas no chão. Havia também morcegos voando no alto e no tronco de uma árvore estava uma coruja com asas escuras.  Ela começou a cantar e eu olhei impressionada para ela. Nesse instante eu senti que ela não era uma coruja comum, ela era exatamente um vampiro.
Então eu caminhei em direção à árvore e olhei fixamente para a coruja ainda pousada no tronco do cedro. Ela também estava olhando atenta para mim. Como se me conhecesse.
-Eros?
Perguntei-o em voz alta e nesse momento a coruja desapareceu como fumaça. E uma voz atrás de mim respondeu logo depois.
-Eu estou aqui.
Imediatamente virei o meu corpo para o lado e olhei atrás de mim. E lá estava ele, em pé diante de mim, usando calça escura, capa preta. Agora um detalhe importante, ele estava sem camisa.
-Eros!
Meus olhos brilharam diante de sua perfeição toda em preto. Os seus cabelos escuros estavam brilhosos e um pouco desconsertados.
Eu corri para abraçá-lo antes de qualquer coisa. E as minhas mãos cruzaram a sua cintura, enquanto o meu rosto deslizou sobre o seu tórax desprotegido de qualquer vestimenta. A minha face entrou em contato com o seu calor e depois com a sua pele.
As suas mãos alcançaram as minhas costas e apertou as minhas costelas, trazendo o meu corpo cada vez mais para junto do dele.
E uma sensação de felicidade encheu o meu ser enquanto eu senti e percebi que eu estava em seus braços, diante da possibilidade de sentir o seu cheiro e tocar a sua pele, mesmo que tão gelada.
Seus dedos pálidos percorreram os meus longos e escuros cabelos, anunciando o seu afeto de protetor fiel. Eu fechei os meus olhos por alguns segundos, me deleitando com aquela circunstância. Era difícil de acreditar que finalmente eu estava nos braços do vampiro Eros.
Ele realmente estava ali, e eu pude senti-lo de verdade.
Então eu ergui a minha cabeça e olhei no seu rosto, mas o meu olhar quis mais e ele encontrou os seus olhos cinza admirando em silêncio o meu semblante.
-Eu não posso viver sem você.
Confessei, ainda o encarando nos olhos.
Suas mãos alcançaram as extremidades do meu rosto e apertaram levemente as minhas bochechas pálidas e frias.
-Você não viverá mais sem mim.
Ele sorriu brandamente e continuou falando.
-Eu vou está do seu lado para sempre.
Eu fechei os meus olhos, tentando acreditar naquelas palavras doces e capazes de me fazer a vampira mais feliz no universo. De fato, o seu amor e a sua companhia eram tudo que eu almejava na minha vida.
- Eu te amo tanto...
Minha voz foi interrompida, assim que os meus lábios tocaram o seu peito definido. Eu tentei me segurar para não contorná-lo com beijos desesperados, brandos e calorosos. Sentir o tórax despido do vampiro Eros era algo enigmático, inexplicável e sempre com gostinho de bis.
Não demorou muito, ele segurou novamente o meu rosto e ergueu-o em direção a sua face e os seus lábios moveram lentamente em direção aos meus.
Fechei os meus olhos e a minha boca absorveu o gosto de sua língua, de sua saliva e de sua respiração tensa contra a minha.
Sensações estranhas, porém prazerosas me fizeram viajar por efeitos que eu amava sentir cada vez que os meus lábios estavam atrelados aos lábios do vampiro Eros.

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Eu abri os meus olhos e olhei rapidamente a minha volta e vi que eu estava deitada no meio do bosque de árvores secas. A saia do meu vestido estava armada sobre o chão. O meu olhar pasmado correu para uma direção e mais adiante, Lyon estava em pé, observando-me.
-O que aconteceu?
Perguntei ainda meio zonza. Eu desejava compreender o que estava ocorrendo após eu ter passado momentos arrebatadores ao lado de Eros.
-Você adormeceu durante horas.
Então, eu olhei para as folhas secas no chão e percebi que tudo não havia passado de um sonho. O devaneio que eu tive com Eros tinha parecido tão real, tão intenso que eu tive vontade de nunca mais acordar e abrir os meus olhos para uma realidade tão penosa.
-Você está bem?
Lyon perguntou, assim que ele se aproximou de mim e abaixou para olhar no meu rosto ainda confuso.
-Eu sonhei com Eros.
Afirmei, olhando para o lado, enquanto o sonho estava vivo dentro da minha mente e correspondia o meu coração com uma batida estranha. 
-O sonho foi bom?
Ele insistiu.
-Sim, Eros estava comigo no Vale da Morte.
Lyon sorriu moderadamente e informou-me.
-Você poderá sonhar com ele sempre que você quiser. Só basta que você beba o chá dos sonhos.
Minhas bochechas tiveram um leve movimento durante o meu sorriso para Lyon. Esse mesmo sorriso era o meu sorriso de esperança, a qual eu iria estar ao lado de Eros durante os meus sonhos.
Lyon estendeu firmemente a sua mão em direção a mim e disse com bom senso.
-Acho que nós devemos voltar para o castelo.
Minha mão direita tocou a mão dele e ele me ajudou a ficar em pé, diante de seu corpo com trajes escuros. O meu longo vestido preto estava cheio de palhas e fragmentos de folhas secas agarradas a ele.

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Momentos após, atravessei a porta principal do castelo, ao lado do vampiro Lyon. Como sempre o silêncio do palácio sempre ecoava os nossos passos com exatidão.
Lyon pareceu satisfeito por saber que a sua porção mágica havia realmente funcionado e também agradado a mim.  O vampiro percebeu que eu parecia mais animada após o sonho que tive na floresta de árvores secas.
Ele parou no corredor, segurou as minhas mãos e implorou com uma voz afável.
-Não conte nada disso do que aconteceu no bosque para ninguém, nem mesmo para o seu pai. – Uma de suas mãos alisou suavemente o meu cabelo escuro. – Esse é um segredo nosso.
Sua voz soou muito baixa, apenas para eu ouvir.
A minha cabeça sacudiu, concordando com as suas frases.
Então, ele soltou a minha mão e nós caminhamos adiante pelos corredores do castelo.

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A porta de um aposento se abriu e eu caminhei para dentro do quarto, após eu ter tomado um banho e também trocado o meu vestido sujo por um limpo.
Meu pai estava deitado em sua cama de mármore, de barriga para cima. Então, eu caminhei até a sua cama e tive a certeza que ele havia adormecido novamente.
Ou seja, o seu sono seria por um tempo indeterminado.
Nem ele ou eu saberíamos quando o seu sono profundo iria findar. Se isso seria daqui a algumas semanas ou até mesmo meses.  
Logo eu pensei que se não fosse à companhia de Lyon, eu iria estar sozinha naquele castelo tedioso e gigantesco.

Até o dia em que o meu pai retornasse de seu sono denso.