Valquíria a princesa vampira 3 - Capítulo 3

Capítulo 3


Vale da morte

A coruja voou para perto de mim, enquanto eu estava sentada no chão, ao lado de velas acesas, caveiras e algumas cruzes no chão.
E essa mesma coruja tornou-se um vampiro vestido com calças pretas, botas cano longo escuras e capa preta.
Dentro de instantes, Eros abaixou diante de mim e sua mão direita tocou o meu rosto. O toque da sua palma fez-me sentir mais segura e também mais amada. Eu quase sorri, percebendo que ele só tinha olhos para mim naquela ocasião. 
-Eu estava com saudades.
Sua voz estava macia e atraente.
-Eu também.
Confessei, em seguida peguei a sua mão e beijei-a com devoção. Então, ele ficou de joelhos e seus dedos tocaram o meu ombro esquerdo. O meu olhar desceu na direção do meu ombro e eu continuei observando com surpresa cada detalhe.
E o movimento da mão de Eros sobre a minha pele me fez estremecer, ao mesmo tempo em que o seu olhar completamente brilhante e cinza atraiu os meus na direção dele. Eu jamais me cansaria de confrontar as meninas dos seus olhos que pareciam mudar de cor sutilmente.
O vampiro arrancou a capa escura de seu corpo e jogou-a para o chão. Do mesmo modo os seus dedos tocaram o meu ombro e também a alça fina do meu longo vestido preto.
Eu olhei para a sua mão, enquanto ela descia suavemente a alça do meu vestido e inesperadamente eu fui surpreendida por um beijo provocante de língua.
Meus olhos se fecharam para sentir cada emoção que eu estava sentindo naquele momento. Eu estava prestes a ser dele de verdade.
Bem ali, no Vale da Morte, em presença de caveiras, velas acesas e também ao lado de várias cruzes sobre o chão.
Porém, antes que o sonho pudesse ser finalizado, eu acabei acordando. E eu vi que eu estava no meu quarto, deitada na minha cama de mármore. As cortinas na janela balançavam de um lado para o outro e o silêncio do meu aposento só me dava à certeza de que eu estava sonhando e que Eros não estava comigo.
Sentando-me na beira da cama, eu toquei o chão com os meus pés, e caminhei em direção à porta fechada. Dentro de instantes, comecei a andar vagarosamente pelo castelo, a procura do vampiro Lyon. E acabei o encontrando na sala principal.
Ele estava sentado em uma cadeira, segurando uma taça de sangue. As suas companhias eram a solidão e dezenas de paredes que o cercavam de lado a lado.
-Lyon, eu preciso do chá.
Minha voz estava absolutamente fraca, e os meus passos estavam lentos. Eu estava muito anêmica e cheia de olheiras.
- Eu preciso mais da sua porção.
Implorei-o assim que eu me aproximei dele e segurei na sua camisa escura.
Lyon se levantou com ligeireza quando percebeu que eu estava quase caindo no chão. Eu mal poderia ficar em pé diante dele e manter uma postura de uma vampira saudável. Que conseguisse suportar o próprio corpo com o equilíbrio saudável das pernas. A minha fraqueza descomunal estava me derrotando.
Aplicado, o vampiro Lyon atravessou as suas mãos ao redor das minhas pernas e me ergueu em seus braços.
-Eu vou levá-la para o seu quarto.
-E-e-eu preciso da sua porção mágica! E-e-eu preciso voltar para os meus sonhos!
Pronunciei quase inconsciente.

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Acolhendo as minhas ordens, o vampiro Lyon preparou outra porção para eu tomar e dessa vez esse chá era muito mais forte, e eu estava correndo o risco de adormecer para sempre. Fechar os olhos e sem chances de abri-los no futuro ou horas mais tarde. 
Tendo o conhecimento do que estava fazendo, Lyon entregou o frasco em minhas mãos, enquanto eu estava sentada no meio da minha cama. Desejando apenas adormecer rapidamente para tentar concluir o sonho que foi interrompido horas antes.
Porém, o vampiro Lyon virou de costas e deixou o meu aposento antes de eu tomar o chá. Ele sabia que eu iria beber aquela porção sem contestar ou desperdiçar uma gota. Aquele chá havia se tornado algo essencial na minha vida, assim como o sangue fazia parte do meu sustento como uma vampira.
Nesse momento, Eros estava em Urano, caminhando pelas rochas frias.
Ele parou a sua caminhada assim que ele teve uma visão da minha fisionomia pálida e abatida, olhando para o frasco de vidro com um líquido verde. Eu estava prestes a beber aquele chá novamente.
E exatamente no momento que eu estava pronta para beber o chá, que seria decisivo na minha vida, Eros surgiu no meu aposento, dando um salto sobre a minha cama e subitamente ele tomou o frasco da minha mão e arremessou contra a parede ao lado. O estouro do vidro contra o paredão me fez despertar e vê que Eros estava realmente no meu quarto.  Que eu não estava sonhando. Não dessa vez.
-EROS!
Gritei, mesmo com a minha voz fraca.
-O que você está fazendo, sua maluca?
Ele perguntou, caminhando em direção a minha cama. O seu olhar zangado me encarou com agravo.
-Pare com isso! Ou você acabará adormecendo para sempre!
Sua voz estava rude. Talvez tão rude quanto o seu olhar na minha imagem lamentosa. O vampiro Eros odiava me ver em circunstâncias de perigo. Parecia que a minha carne era um pedaço da sua. E se seu sentisse dor, provavelmente ele também sentiria.
-Eu não me importo!
Respondi olhando para baixo. As minhas mãos cruzaram acima da linha dos meus seios. Mesmo com Eros diante de mim, eu sentia que a minha felicidade estava ameaçada e também não estava completa. Faltava algo.
Ele parou ao lado da minha cama, diante de mim e o seu corpo ficou quase transparente. Eros havia feito aquele truque propositalmente. Porque o ex-servo de meu pai me desejava mostrar alguma coisa que eu não poderia enxergar sem a sua ajuda.
-Olhe para mim e veja você mesma!
A sua voz soou agressiva. Eu olhei para o seu corpo quase cristalino e pude ver a minha própria imagem, depois que eu me tornei uma vampira.
Realmente eu estava muito abatida e com olheiras profundas. Eu deveria ter emagrecido uns sete quilos.
-Veja como você está abatida! Cheia de olheiras!
Eros finalmente retomou o seu corpo normal após isso. Pois ele se sentiu fraco por ter ser tornado um espelho para mim. Partes das suas energias tinham sido consumidas por causa disso.  Ele acabou suspirando pesado e alisando um lado do seu cabelo escuro com uma das mãos.
E quando Eros se recuperou novamente, ele tornou a ficar em pé ao lado da minha cama. Eu levantei vagarosamente do meu leito e fiquei em pé diante dele. Mas a fraqueza me deixou um pouco curvada.
-Eu não me importo com isso, tudo o que eu estou vivendo com você nos meus sonhos é tão maravilhoso!
Confessei olhando em seus olhos. Eros balançou negativamente a sua cabeça, segurou fortemente os meus pulsos e sacudiu-me violentamente.
-Pare com isso agora! Eu não estou brincando!
-Eu prometo parar de tomar essa porção se você me prometer que você irá ficar em Netuno.
Eu disse olhando em seus olhos cinza e o meu olhar percorreu o seu semblante angustiado.
Eros olhou para os lados e permaneceu em silêncio por algum tempo. Pois o que eu estava lhe pedindo era algo lastimoso para ele.  A sua permanência em Netuno era algo que não se significava mais para a sua existência como vampiro. 
-Tudo bem.
Finalmente ele respondeu e em seguida soltou os meus braços. Então ele deu dois passos para trás, e disse novamente.
-Mas eu não irei viver nesse castelo. Eu vou ficar no bosque até que eu tenha a certeza que você está fora de perigo.
Nessa ocasião eu corri para junto dele e o abracei com o pouco de forças que ainda restavam no meu corpo. Eros merecia aquele abraço e muitos outros.
-Eu não posso acreditar que você está de volta a Netuno!
Ele segurou as minhas mãos e as removeu de seu corpo em ato contínuo.  O seu olhar estava grudado aos meus, na hora em que ele pronunciou decididamente.

-Eu só ficarei em Netuno, até que você esteja fora de perigo. Eu não vim para ficar aqui para sempre.