Valquíria a princesa vampira - Capítulo 3

Capítulo 3



Cheguei ao meu novo colégio, carregando um caderno novo e objetos necessários para meu primeiro dia de aula. Eu caminhava pelo pátio da escola, o qual era imenso e cheio de árvores e banquinhos de madeiras espalhados para todos os cantos. Adiante, eu percebi que todos os alunos me olhavam. Provavelmente eles sabiam que eu era calouro.
Contudo, nos primeiros instantes eu não tive a necessidade de fazer amigos. Eu queria mesmo ficar sozinha, refletir que novamente eu estava diante de um bando de alunos que eu não conhecia e que eles eram tão desconhecidos como uma roupa que eu acabava de observar na vitrine de uma loja e não sabia a sua composição e nem mesmo o seu preço.
Era horrível sentir aquela sensação outra vez e olhar ao redor e saber que eu estava em um colégio onde eu não conhecia ninguém.   Que eu sabia que estava recendo uma chuva de olhares questionadores e curiosos. Ali havia também olhares de rejeição contra mim.
Mas o pior estava por vim, porque assim que eu entrei na sala de aula, eu fui apresentada pela professora a todos os estudantes na minha classe. Todavia eu já estava acostumada com aquele tipo de recepção, já que eu freqüentei vários colégios de várias cidades distintas.  Essa cena já havia se tornado um tédio para mim. Eu preferia pular essa etapa e se passar por indigente, ou até mesmo invisível. Mas eu percebia que os professores adoravam constranger os novos alunos com esse tipo de apresentação.
Acho que seriam mais fáceis, os alunos da minha classe começar a me conhecer com o passar dos dias, ou então durante as chamadas no diário, no final de cada disciplina do dia.
Observando a sala de aula, eu percebi que ela era apertada e tinha poucos alunos. Era melhor assim, eu ficava retraída com muita gente ao meu redor.
No final da aula, eu caminhei lentamente para o toalete feminino, com o designo de verificar minhas condições, afinal eu estava naqueles dias... Os famosos dias mais odiados pela classe feminina a cada mês do ano.
Chegando à porta do banheiro, eu vi uma garota da minha sala. Ela se olhava o tempo todo no espelho e jogava os seus cabelos de um lado para o outro, tentando parecer mais bonita.
Porém, logo parei de observá-la assim que eu notei que ela me viu através de um enorme espelho e quadrado, pendurado em uma das paredes claras do banheiro. Então ela virou-se de frente para mim e começou falar comigo.
-Oi, eu me chamo Mirta.
-Oi... Mirta.
-O que você achou da escola? - Ela perguntou enquanto me reparava dos pés a cabeça e no mínimo ela achou que eu não estava a sua altura. Ela vestia roupas mais sofisticadas do que as minhas. Pois eu gostava de andar com roupas de baixo custo, mas que me agradecem ao colocar no meu corpo.
-... Legal... - Eu disse o que veio em minha mente.
-Vamos ser amigas? – Perguntou-me dando pulinhos de alegria.
-Sim... Claro... - Respondi robótica.
Afinal eu não a conhecia o suficiente para nos tornamos amigas tão depressa. Mas o seu pedido de amizade veio tão rápido e a minha resposta foi tão rápida também. Eu achei que era hora de eu dar um voto de confiança para alguém naquela escola que estivesse disposta a ser a minha amiga de verdade.
-Ótimo! - Ela exclamou e me deu um forte abraço, comemorando o início de nossa amizade. -Eu gostei de você!Parece sincera.
-E sou. - Finalmente eu respondi, olhando em sua face. Os seus lábios carregavam um batom na tonalidade rosa.
-Eu também, eu odeio falsidade.
No término das aulas, nós fomos embora juntas, Mirta falava o tempo todo. A sua língua precisava de um freio com urgência. No entanto, nós conversávamos sobre a escola e sobre as pessoas daquele lugar, quais professores eram legais e quais não eram. O que era permitido ali e em quem nós podíamos confiar às cegas.

ESPAÇO 1
Assim que eu cheguei a minha casa, eu vi minha mãe. Ela estava lendo um livro, deitada no sofá da sala, esperando por meu retorno.
-Como foi na escola? - Perguntou a mim com seus olhos curiosos. Eu conhecia aquele olhar cada vez que ela queria saber algo sobre o meu dia.
-Legal! Tem poucos alunos lá. - declarei sem empolgação, eu confesso que eu havia freqüentado escolas melhores no passado.  Educandários com mais estruturas e qualidade de ensino.
-Já era de se esperar... - A minha mãe disse fechando o livro. Parecia fatigada de sua leitura. Ela estava lendo aquele livro, apenas para ocupar o seu tempo. Afinal, ela estava sozinha e não tinha ninguém para conversar durante a minha maratona de escola.
-Eu conheci uma garota chamada ‘Mirta’, ela quer ser a minha amiga.
-Eu quero conhecê-la.
-Pode deixar xerife, eu vou trazê-la aqui.
Eu informei-a, erguendo a minha mão direita na altura da minha testa.
Para mim isso não foi surpresa, a minha mãe desejar conhecê-la. Ela sempre teve esses cuidados com as minhas amizades, queria estar ciente sobre quais tipos de pessoas eu andava para avaliá-las, como boas ou ruins no meu convívio.
Minutos depois, eu tomei um banho frio e coloquei uma roupa confortável e permaneci no meu quarto durante horas. Fiquei sentada na minha cama e escrevendo no meu pequeno diário o meu primeiro dia de aula. Eu sempre fui uma pessoa só, por isso eu tinha o costume de desabafar com um pedaço de papel.
Eu achava isso mais seguro, como eu sabia que aquelas palavras jamais sairiam dali, a menos que alguém as lesse.

Citei Mirta na minha biografia, enquanto eu tive a sensibilidade de compreender que a nossa amizade seria especial e duradoura...